O teu olhar persegue-me.
Queima-me a nuca quando estou de costas. Encandeia-me quando me viro para ti. Enfeitiça-me quando sorris. Aquece-me quando me percorre.
Está impresso na minha memória com tinta indelével, assalta-me a qualquer hora do dia, assombra os meus sonhos mais profundos.
Os teus olhos despem-me quando me observas, e fazem-me perguntas que não chegam aos teus lábios.
E os meus olhos respondem aos teus, num namoro recorrente e mudo, em que nenhum de nós dois está disposto a capitular.
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O lugar do teu corpo é ao meu lado, encostado a mim no sofá onde me sento a descansar ao fim do dia.
O lugar da tua mão é encaixada na minha, palma com palma, dedos entrelaçados, o teu polegar ou o meu movendo-se às vezes numa mensagem sem palavras.
O lugar da tua cabeça é na almofada gémea da minha, as duas lado a lado encostadas à cabeceira da cama.
O lugar do teu braço é em volta da minha cintura, segurando-me enquanto durmo, o calor da tua pele aquecendo a minha.
O lugar dos teus lábios é sobre os meus, as nossas bocas acariciando-se mutuamente, as línguas dançando felizes.
O meu lugar é contigo, e o teu é em mim.