Quero pousar a cabeça aí, nesse local onde por baixo pulsa o teu coração. Aspirar o odor isento de perfume que se solta do teu corpo. Deslizar as mãos sobre a pele que cobre a tua cintura.
Quero fazer do teu ombro a minha almofada, e entrar no sono embalada pelo sobe-e-desce da tua respiração.
Quero pousar o meu joelho na tua anca e tactear as tuas pernas com o meu pé, sentindo os contornos dos teus músculos sob os meus dedos.
Quero percorrer com os meus olhos cada milímetro do teu rosto, esquadrinhar cada poro, cada vinco, demorar-me na cor indefinida dos teus olhos, observar a curvatura das tuas pestanas; depois passar os meus lábios sobre o teu pescoço e o teu queixo, sentindo na ponta da língua um ligeiro sabor a sal, até desceres a tua boca para se encontrar com a minha num beijo sem limites.
E quando finalmente os meus sentidos e o meu corpo estiverem, por momentos, já saciados de te sentir, vou deixar que os meus olhos capitulem e se fechem, para então resvalar, pouco-a-pouco, sem me aperceber, até ao universo paralelo de outros sonhos.