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A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

Vem

Vem. Não fujas, não resistas, não lutes É inevitável, e tu sabes. Está escrito nos astros, nos genes, no vento, é karma, fado, destino ao qual tu não podes escapar. Nem eu.

Vem. Dá um passo ao meu encontro e eu darei dois até ti. Estende a tua mão e eu irei afagá-la, primeiro ao de leve, quase sem tocar, para sentir a textura da tua pele, e depois enroscando os meus dedos nos teus como se quisesse fundi-los, transformar a tua mão e a minha num só corpo, até já não conseguir sentir onde termino eu e começas tu.

Vem. Vamos trocar olhares, palavras e sorrisos, embaraçados pela timidez do desconhecido, ansiosos por explorar o território do outro, por espreitar para dentro da sua cabeça e penetrar no seu coração. Vamos passear de mãos dadas, indiferentes ao frio e aos outros, desinteressados de tudo o que não seja nós. E falar, falar, falar, construir uma ponte de palavras para ligar as nossas margens, uma melodia de vogais e consoantes para sintonizar os nossos espíritos, uma laço de histórias e memórias para nos unir numa emoção.

Vem. Vou mostrar-te o meu mundo, revelar-te os meus gostos e as minhas manias, dar-te a conhecer texturas, aromas e paladares, partilhar contigo ideias que me comovem e lugares mágicos, contar-te segredos confessáveis e talvez outros nem tanto assim. Vou querer saber tudo de ti, aprender o que tens para me ensinar, absorver a tua essência, sugar o teu sangue. Será a imersão dos sentidos num caldo primordial, a osmose intensiva até à sintonia plena das nossas respirações, até à sincronicidade total dos nossos biorritmos.

Vem. O dia transformar-se-á em noite e a noite em madrugada, mas nós não vamos dar por nada, ocupados que estaremos a entrar um no outro e a construir o nós, alheados de tudo o que nos é exterior. Quando voltarmos a emergir seremos já uma nova tríade – eu, tu e nós – unida por um sentimento comum, exclusivo e intransferível.

Por isso, vem. Hoje, amanhã, quando quiseres. Mas vem. Porque tem de ser. Eu sei. E tu (sabes) também.

 

 

 

 

 

 

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