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A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

Enquanto não voltas

 

Enquanto não voltas, o mundo não vai parar de girar.

As marés vão suceder-se umas às outras e os lobos vão continuar a uivar à lua. Os pássaros farão os seus ninhos, os rios correrão para jusante e o Outono pintará as paisagens em tons de amarelo e castanho.

Quando as flores dos jacarandás caírem, as ruas ficarão atapetadas de roxo e o seu perfume vai permanecer no ar por muitos dias.

Enquanto não voltas, a vida vai continuar.

Os carros irão encher as estradas nas horas de ponta, os pais continuarão a levar os filhos à escola, adolescentes vão suspirar de paixão pelo seu cantor favorito e encher os festivais de música, chorar as suas desilusões amorosas, festejar por tudo e por nada.

Haverá casamentos e nascimentos, e doenças e lutos lacrimosos, guerras estúpidas e loucuras fatais.

Enquanto não voltas, vou continuar no meu caminho.

Levantar-me todos os dias mesmo que não me apeteça, fazer o meu trabalho como sempre, cumprir a rotina só quebrada de vez em quando. Irei às compras ao supermercado, tomar um café com amigos, comover-me com as histórias tristes dos outros e sorrir quando as notícias são boas.

Serei assaltada pelas recordações de bons momentos, farei planos para ir de férias, receberei feliz todos os abraços apertados dos que me querem bem.

Enquanto não voltas, não vou esquecer-me de viver. Mesmo que às vezes custe.

E pode ser que um dia eu já não queira que tu voltes.

 

Bosque Nebuloso de Monteverde (564) cópia 4.jpg

 

A falta que me fazes

Sinto a tua falta.

Sinto falta do teu sorriso travesso e da tua gargalhada fácil. Do som terno do meu nome dito pela tua voz. Do aconchego caseiro do teu abraço apertado.

Falta de sentir o sopro morno do teu hálito no meu pescoço. O peso bom do teu corpo sobre o meu. A urgência da tua língua na minha pele. A fome dos teus beijos.

Sinto falta dos teus olhares cheios de significado. Das tuas carícias que me segredam segundas intenções. Das nossas conversas intermináveis noite dentro, desaguando em manhãs sonolentas e monossilábicas no conforto dos lençóis.

Antecipo a tua falta mesmo quando ainda não foste embora. Adivinho as saudades que vou sentir na tua ausência. Pressinto o vazio dos meus dias sem ti. A dor de sentir que perdi uma parte de mim.

Ainda estás aqui, mas já sinto a tua falta.

ediçãolimitada cópia.jpg

 

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