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A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

Um beijo

 

Um beijo quente, um beijo longo, um beijo molhado.

Um beijo de entrega, um beijo de paixão, um beijo de loucura.

Um beijo dado com o coração, um beijo exclusivo, um beijo sem limites.

Um beijo único, repetido uma e outra vez até à eternidade.

Um beijo que vale a pena. Um beijo que vale pela vida.

 

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E é assim

Abrimos a porta, abrimos a casa, abrimos o sorriso para saudar quem chega.

Abrimos a vontade, abrimos o tempo, abrimos os braços para acolher quem nos procura.

Abrimos a alma, abrimos as memórias, abrimos o coração para guardar quem nos toca.

Abrimos a cama, abrimos o corpo, abrimos o desejo para aquecer quem nos quer.

Depois, um dia, abrimos os olhos. E a realidade entra de rompante, sem pedir licença.

E é assim.

 

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Ano novo, ano velho

Ano velho, ano novo.

Balanços do ano que passou? Não faço. O balanço da minha vida é feito todos os dias, quando páro para pensar onde estou e por onde quero ir, quando sorrio ao lembrar instantes felizes, ou me assaltam pensamentos mais sombrios.

Resoluções para o ano que começa? Não tenho. Os meus princípios de vida são os mesmos de sempre, as minhas decisões são tomadas em cada curva do caminho, em cada ponte que me proponho atravessar.

O calendário muda, mas eu ainda sou a mesma pessoa, e a vida continua.

 

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As ruas de Lisboa

As ruas de Lisboa sobem e descem serpenteando pelas colinas, e desdobram-se em escadinhas, becos e miradouros, desembocam em praças e rotundas, contornam jardins, museus e monumentos. Têm varandas e janelas floridas, balaustradas e portões de ferro forjado, portas de vidro, de madeira, de metal. Têm roupa estendida, nos bairros antigos, e fachadas com azulejos pintados à mão. Têm edifícios que se iluminam com mil cores quando cai a noite, e jacarandás que atapetam de roxo o chão no mês de Maio.

As ruas de Lisboa têm pedras soltas nos passeios de calçada portuguesa e paredes grafitadas. Têm mendigos de mão estendida e poças de água suja quando chove. Têm pombos sôfregos que correm de um lado para o outro, gaivotas desorientadas em telhados longe do rio, e bandos de estorninhos barulhentos e assustadiços. Têm tapumes de obras e andaimes, buracos traiçoeiros e tampas metálicas desniveladas no alcatrão. Têm árvores aqui e acolá, postes de iluminação e papeleiras, painéis com publicidade, toldos e néones de cores vivas.

Pelas ruas de Lisboa correm eléctricos amarelos ou vermelhos, e autocarros que eram laranja mas agora têm as cores da publicidade que ostentam. Passeiam carros anfíbios com focinho de hipopótamo, carochas descapotáveis de cores pastel, tuc-tucs decorados com imitação de azulejo, bicicletas com as mais variadas formas, e carrinhos que parecem de feira mas andam à solta enchendo a cidade de rateres. Ouvem-se buzinadelas e travagens, cheira a fumos de escape e o trânsito vira inferno de manhã e ao fim da tarde. As entradas do Metro são bocas cinzentas que engolem as pessoas uma a uma e depois as regurgitam em grandes golfadas.

Nas ruas de Lisboa há homens e mulheres que caminham apressados, o olhar perdido como zombies, a mente divagando sabe-se lá por onde. Há pessoas paradas a conversar, sentadas à espera de um transporte público, passeando vagarosamente enquanto olham as montras ou falando para o microfone do telemóvel. Há turistas de câmara ao pescoço e mapa na mão, estudantes de mochila às costas e ténis nos pés, crianças puxadas pelas mãos dos adultos. Há esplanadas cheias de gente quando o sol brilha, e chapéus abertos em correria quando chove.

Nas ruas de Lisboa flui a energia que anima uma cidade.

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Olha para mim

 

Olha para mim. Olha bem para mim.

Eu sou mais do que apenas um objecto de desejo. Sou mais do que uma simples projecção dos teus ideais, ou uma boneca insuflada pela tua imaginação. Sou mais do que aquela imagem que moldaste de mim.

Eu sou de carne e osso, humana e falível como tu e toda a gente.

Tenho bagagem e sentimentos, sonhos e caprichos, objectivos e preferências. Tenho vida própria, vontade própria e uma cabeça pensante.

Tenho forças que até eu desconheço e momentos de intuição avassaladora.

Tenho dentro de mim buracos negros que às vezes me consomem e sóis que irradiam quando estou feliz.

Por isso, olha para mim.

Olha realmente para mim e verás que, afinal, tu não sabes quem eu sou.

 

 

 

 

Paixão

 

Caí de quatro quando o vi. Como se tivesse sido fulminada por um raio. Fiquei pregada ao chão, mesmerizada, incapaz de raciocinar. Aplicam-se a mim todos os lugares-comuns habituais para descrever uma paixão à primeira vista. E provavelmente mais alguns que ainda não foram usados.

Não foram os olhos dele, tapados por óculos escuros. Também não foi o corpo, disfarçado pelas roupas meio largas, nem foram as mãos, escondidas nos bolsos das calças.

Terá sido talvez o seu sorriso, luminoso e quente como um dia de Verão. Ou tão só a sua presença, a sua aura de confiança, a forma como entrou e ficou a olhar. Simplesmente a olhar e a sorrir.

A partir desse momento, tudo à minha volta como que se esbateu, e fiquei incapaz de afastar os olhos dele. Como se ele fosse o pólo norte da minha agulha magnética, o farol que rompe a escuridão do oceano onde eu navegava, ele planeta principal e eu apenas um satélite gravitando em seu redor. Apaixonei-me sem razão, sem controlo e sem sequer me aperceber. Desapareceram todas as minhas prioridades, porque o meu único objecto de desejo passou a ser ele, um simples desconhecido, um estranho cuja existência até então eu ignorava completamente e de quem nada sabia.

Foi assim que me apaixonei sem remédio e me deixei afogar naquela paixão. Deixei-me ir até ao fundo, privada de qualquer possibilidade de salvação, porque contrariar o que sentia teria sido impossível, mesmo que quisesse. Deixei que a paixão me esvaziasse, me consumisse até já nada restar de mim. Apenas sobreviveram as cinzas do que eu tinha sido.

E só nessa altura, qual fénix, eu pude renascer. Porque esta paixão foi como a chama de um fósforo – começou com uma explosão, mas ardeu rapidamente até ao fim, e nada sobrou para a alimentar. Aqueceu-me o coração por algum tempo, ofereceu-me um novo fôlego, e dela saiu uma mulher renovada e mais forte.

Às vezes, a vida sabe o que faz. E faz bem.

 

 

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