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A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

A vida e outros acasos

A vida é uma coisa. O amor é outra. (Miguel Esteves Cardoso)

Rir

 

Gosto de rir. Suavemente ou às gargalhadas, abertamente ou tentando não dar nas vistas. Rir de mim, das minhas pancadas e figuras tristes. Rir de uma anedota com piada, uma história contada com graça, uma palermice com imaginação, uma pantomina simpática. Gosto de pessoas que têm sentido de humor, de filmes que me arrancam uma gargalhada, de livros que me arrancam sorrisos. Rio-me se estiver feliz, às vezes se estiver nervosa ou embaraçada, rio-me sozinha quando faço um disparate qualquer. Rir salva-me do cinzentismo de alguns dias.

Rir é preciso. Desmedidamente, loucamente, inesperadamente, seja por que razão for.

Rir é o que nos torna humanos.

 

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* Hoje, 18 de Janeiro, é o Dia Internacional do Riso. Vamos rir?

 

 

Diário das Festas 2016 ou como acabar o ano em beleza (só que não)

Diário das Festas 2016 ou como acabar o ano em be

 

24 de Dezembro: Passar a tarde toda a cozinhar. Jantar pouco porque com tanto cozinhado e dores nas costas a vontade de comer não é nenhuma. Ficar com uma bancada cheia de loiça para lavar porque a máquina decidiu avariar há tempos e o técnico ainda não sabe se arranja a peça necessária.

 

25 de Dezembro: Passar a manhã a arrumar a casa. Pés gelados durante horas no almoço de família. A garganta começa a arranhar. Ainda bem que amanhã não trabalho.

 

26 de Dezembro: Loiça e mais loiça. A garganta está pior e começam as dores no corpo e na cabeça. O termómetro confirma a suspeita: febre. Oficialmente com gripe.

 

27 de Dezembro: Acordar cheia de arrepios. Febre. Avisar que não vou trabalhar. Passar o dia alternando entre prostrada com febre, encharcada em suor e arrastando-me para fazer as coisas básicas, como ir à casa de banho ou fazer um chá para tomar os medicamentos.

 

28 de Dezembro: Repetição do dia 27, com uma ou outra nuance. Ainda sem apetite (yay!!! vou compensar as calorias ingeridas a mais no Natal). Cama de manhã e sofá à tarde, bocadinhos de filmes no intervalo dos sonos tipo pedra provocados pela febre. A garganta piora e a tosse também.

 

29 de Dezembro: Noite sem febre mas quase sem dormir por causa da tosse, das dores de cabeça e da garganta que parece retalhada por vidros. Continuar em casa, e ainda em modo zombie. A febre desapareceu definitivamente, depois de cumpridas as 48 horas da praxe. O milagroso chá de perpétuas roxas salva-me mais uma vez a vida ao acalmar as dores de garganta. A tosse não desiste. Amanhã há que ir trabalhar.

 

30 de Dezembro: Frio. Sair de casa enrolada em roupa, tipo cruzamento entre uma cebola e um chouriço. Tossir quase ininterruptamente durante todo o tempo em que estou no escritório. À noite, espirros e comichões no nariz juntam-se à tosse. Fixe! Depois de uma gripe, uma constipação.

 

Madrugada de 31 de Dezembro: Outra noite mal dormida. Olheiras até ao queixo cor cinza-pêlo-de-rato. Tosse. Mais espirros. Mais comichões no nariz. Mais tosse. Garganta novamente a doer.

 

Previsão para a passagem de ano: Ter de cancelar o jantar com amigos e passar o ano no sofá com o nariz enfiado no lenço de assoar.

 

Resolução (utópica) para 2017: Não sair de casa enquanto não acabar o Inverno.

 

(Maus fins, bons princípios, dizem. A ser verdade, 2017 vai ser um ano fantástico.)

 

E Feliz Ano Novo para todos!

 

 

Dor

 

Quando a dor se instala na nossa vida e não sai nunca, tudo acaba por girar à sua volta. Insinua-se lentamente em tudo o que fazemos, suga as energias, ocupa os pensamentos. Vai tomando conta de tudo, a pouco e pouco, torna-se grande mesmo quando não passa de uma moinha. Atrapalha quando queremos levar uma vida normal e nos esforçamos por a ultrapassar. Satura, cansa, rouba-nos a paciência. Quando há dor, somos pessoas piores.

 

Tentamos distrair-nos, esquecer que ela existe nem que seja por uns momentos, fingir que não é nossa. Dizemos “está tudo bem” porque é preciso pensar positivo e não é uma simples dor que nos vai deitar abaixo. Lutamos com força para não sucumbir. Às vezes até fazemos cara alegre e rimos.

 

Acabamos por nos resignar a viver com ela. A encontrar formas de a contornar, a deixá-la submergir-nos quando nada mais resulta. Vamos ao fundo na esperança de conseguir voltar à superfície, de que amanhã seja melhor do que hoje. Vivemos como e quando podemos, naufragamos em dias de desespero, e sorrimos de felicidade quando ela nos dá uma trégua, mesmo que momentânea, mesmo quando sabemos que ela vai voltar em breve.

 

E não há diferença entre uma dor física e uma dor de coração. Ambas conseguem ser igualmente dilacerantes.

 

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Não é fácil viver

 

 

Não é fácil viver no mundo de hoje.

 

Um mundo que parece encolher a cada nova invenção tecnológica, mas onde as pessoas parecem afastar-se cada vez mais umas das outras. Um mundo dividido ao meio por intransigências. Pela violência. Pela fome e pela indiferença.

Um mundo que é um planeta esventrado, abusado, violentado. Um planeta em revolta, que se vinga em tempestades, sismos e inundações. Um planeta condenado à morte, onde o ser humano é o maior parasita, a maior praga que parece decidida a destruí-lo.

 

Não é fácil viver na sociedade de hoje.

 

Divididos entre o que esperam de nós e aquilo que nós queremos ser.

Espartilhados por convenções, vivendo numa manada que é suposto ser coesa, onde cada pessoa tresmalhada é constantemente, insidiosamente convencida a voltar ao redil, sob pena de se tornar indigente ou eremita.

Querendo ser fiéis aos nossos princípios mas tendo de lutar encarniçadamente contra quem nos quer impingir os seus e não olha a meios para o conseguir.

 

Não é fácil viver no nosso país de hoje.

 

Um país onde a esperança é mais fina e frágil que uma gaze.

Onde as pessoas são dispensáveis e menos valorizadas do que uma qualquer máquina, onde quem tem dinheiro tem tudo, e quem apenas vive do seu trabalho muitas vezes se limita a sobreviver.

Um país onde a mentira e o fogo-de-vista se instalaram e os lobos já nem se incomodam em usar uma pele de carneiro; e onde o que ontem era promessa e dado adquirido, hoje faz-se por esquecer, e dá-se o dito por não dito – sem remorso.

 

Não é fácil viver.

E menos ainda acreditar.

 

 

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Não preciso

 

Não preciso que me dês espaço. Eu sei reservar o espaço que me é necessário. E se algum dia não conseguir, vou a ser a primeira pedi-lo.

 

Não preciso que me protejas. Sou uma mulher adulta e já passei por muita coisa. Preciso sim que me dês a mão quando me lanço no desconhecido e me deixes encostar a ti quando perco o fôlego.

 

Não preciso que me ajudes. Se fizeres a tua parte, não vou precisar de ajuda. Mas se me mimares quando estou cansada, eu vou gostar, e vou agradecer, e vou retribuir, porque os guerreiros dos dias de hoje também batalham, embora as armas sejam diferentes.

 

Não preciso que me ponhas num pedestal. Não sou santa. Sou uma pessoa vulgar que tenta viver o melhor que sabe e fazer o melhor que pode. Que vai percorrendo o seu caminho construindo-se à medida que o percorre, tentando aprender alguma coisa todos os dias.

 

Não preciso que me cubras de ouro. Quero tempo e experiências, não coisas. Quero uma vida, não uma conta bancária. Quero partilha de histórias, emoções, olhares e projectos. Quero um futuro, não um colar de pérolas.

 

Não preciso que me jures amor eterno. Não preciso de palavras só porque sim, porque é bonito dizê-las, porque agradam. Apenas preciso daquelas que vão para lá das meras intenções, das que são ditas porque espelham a tua vontade e o teu compromisso, das que têm um pedaço de ti.

 

Não preciso de um príncipe encantado, porque eu também não sou uma mulher de sonho.

 

Preciso de muito, mas há muito mais de que não preciso.

 

 

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